No sul do Piauí, um trabalho que começa com mapas, imagens de satélite e vistorias em campo tem um objetivo maior: garantir direitos e fortalecer a relação das comunidades tradicionais com seus territórios. Foi com esse propósito que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), por meio do Centro de Geotecnologia Fundiária e Ambiental (CGEO), realizou uma vistoria técnica em comunidades quilombolas do município de Dom Inocêncio.
A ação integra o Projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI) e vai subsidiar a elaboração e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das áreas coletivas. Durante a atividade, as equipes da Semarh percorreram os territórios acompanhadas pelos próprios moradores e lideranças locais. Um trabalho construído de forma participativa, respeitando a história, a identidade e os modos de vida dessas comunidades.
Para a gerente do Centro de Geotecnologia Fundiária e Ambiental (CGEO), Aline Araújo, o contato direto com as famílias é essencial para que o cadastro reflita a realidade de cada território. “Esse é um trabalho que vai muito além da parte técnica. Fazemos questão de ouvir as famílias e construir tudo em conjunto, porque são elas que conhecem e preservam esses territórios há gerações. O Cadastro Ambiental Rural representa mais segurança, mais oportunidades e o reconhecimento de direitos importantes para essas comunidades”, destaca.
Mais do que um documento, o CAR é uma ferramenta que abre portas para políticas públicas voltadas à conservação ambiental, à inclusão produtiva e ao desenvolvimento sustentável. Os números mostram os avanços alcançados pela política de regularização ambiental executada pela Semarh nos últimos anos. Em 2022, o Piauí contabilizava 255.373 cadastros realizados. Esse número subiu para 278.938 em 2023, chegou a 301 mil em 2024, alcançou 329.978 em 2025 e já soma 333.498 Cadastros Ambientais Rurais registrados em 2026.
Segundo o secretário do Meio Ambiente, Feliphe Araújo, os resultados refletem uma política pública que tem chegado aos territórios e aproximado os serviços ambientais das comunidades. “Nosso compromisso é fazer com que a política ambiental seja uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento. Estamos avançando na regularização ambiental em todas as regiões do Piauí, garantindo mais segurança jurídica e ampliando o acesso das comunidades e dos produtores rurais às políticas públicas. Os números mostram que estamos transformando um passivo histórico em oportunidades para milhares de piauienses”, afirma.
A iniciativa em Dom Inocêncio é mais um exemplo desse trabalho. Mais do que realizar uma vistoria técnica, a Semarh reforça uma parceria construída com diálogo, participação social e respeito às comunidades quilombolas, que há gerações ajudam a preservar um patrimônio ambiental e cultural que é de todo o Piauí. Com presença em campo e resultados concretos, a Semarh vem consolidando uma das maiores ações de regularização ambiental da história do estado, unindo preservação, cidadania e desenvolvimento sustentável.